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A importância da psicologia na abordagem da infertilidade

02/06/2018 · Notícias

Construir uma família. Para muitos, a realização desse desejo tem como condição básica a presença de um filho.

A idealização da família perfeita (com todas as suas imperfeições e desafios), o filho ideal, as expectativas, os sonhos e todos os projetos de vida que haviam sido feitos para si, para o casal e para a futura criança, dão lugar às diversas emoções e questionamentos diante de um diagnóstico de infertilidade. São trocados, então, pelo medo, pela insegurança, pela angústia, pela ansiedade, pela tristeza, pela frustração, por dúvidas, por questionamentos sobre si, sobre cada indivíduo nessa relação, sendo necessário, algumas vezes, enfrentar o luto.

Deparam-se então com uma nova realidade: a necessidade de ajuda profissional para realizar o sonho de tornarem-se pais. Inicia-se, portanto, uma jornada em busca da realização daquele sonho, que agora não depende somente do casal, mas também de uma equipe especializada.

É nesse contexto, em que a distância entre o desejado e o real é percebida, que emergem os conflitos. O psicólogo aparece nesse cenário de modo a auxiliar os casais heterossexuais e homoafetivos, ou as pessoas que buscam a procriação independente, a passarem, da melhor maneira possível, por todos os procedimentos necessários à reprodução assistida. O profissional de Psicologia atua de forma a minimizar os impactos emocionais, a elaborar os questionamentos e conflitos que naturalmente emergem nesse momento de vida, a esclarecer dúvidas, a permitir que os envolvidos expressem o que estão sentindo e a abrir espaço para a interrogação nunca silenciada, sem cobrança, sem culpa e sem julgamentos.

É no ambiente psicoterapêutico que as pessoas que precisam da reprodução assistida podem elaborar melhor os conflitos que surgem ao se depararem com a incerteza e a possibilidade de finitude.

Assim, nesse ambiente seguro e protegido, percebemos as configurações subjetivas singulares e todo o universo simbólico construído por cada um, desde o momento de seu nascimento. Tem-se, então, foco na resiliência frente aos “nãos” da vida, na reconfiguração e reestruturação da complexa configuração subjetiva de cada ser. Destacam-se os recursos internos de cada um no enfrentamento de situações adversas, fortalecendo o indivíduo como sujeito ativo no processo de saúde psíquica e física, para além da parentalidade.

No settingpsicoterapêutico, portando, é criado um ambiente favorável ao desenvolvimento de reflexões e à reconstrução de si, tendo como prioridade a integridade da experiência humana.

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